Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
Isto é só para dizer que também sou moderna e tenho Facebook.
E a quantidade de piadas que por aí circulam sobre os mineiros chilenos? Hoje no Facebook, post sim - post não, saía graçola. Que gente insensível. Eu era incapaz. Algumas piadas eram mesmo boas, mas fogo, não se goza assim ainda por cima com mineiros. E do Chile. Há limites, olha que sinceramente. Até pessoas bonitas e inteligentes tiveram a ousadia, o desplante, o mau gosto de fazer pouco do assunto. Incomoda-me. Mas a caminho de me tornar uma alma lavada e imaculada, fiquei com algum receio de recorrer à minha cápsula da Asma. Ainda me sai um chileno pela boca.


publicado por Menina da Rádio às 22:38
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Do Fastio

Gostava de ser qualquer coisa de primeira água. Gosto quando se diz isto de alguém e acredito sempre. Mesmo que ainda não tenha percebido o que quer dizer. Já não gosto tanto se o autor dessa qualquer coisa, a obra de primeira água, comentar ter sido gratificante todo o processo e não sei-quê. Fico arreliada quando ouço dizer “foi muito gratificante”. A obra sabe logo a sopa ou batatas requentadas. Os apresentadores de televisão têm essa mania e maneira de falar. E depois sorriem sempre. Eles não riem, não dobram o riso. Não lhes sai ranho quando arrebatados por um ataque de riso. Eles apenas sorriem, um esboço de graça à boneca de borracha. Esses dizem muitas vezes que “foi gratificante”. As pessoas boazinhas também dizem muito. As tais que simpatizam com toda a gente. Aquelas muito agradáveis. Parecem-me perigosas, essas pessoas. Ninguém consegue ser assim tão querido, o que me leva a concluir que são feitas de afectos falsos. Estou mesmo a ver que o “foi muito gratificante conhecer-te” se transforma numa frase de escárnio mal o outro vira costas. Mas não vai deixar de ser agradável, por uma questão de educação. E aqui há uma fronteira. Nunca sei onde está a melhor terra: se na simpatia hipócrita ou na falta de edução honesta. Eu, porque nisto do trato a terceiros não sou definitivamente de primeira água, nunca sei como me comportar. O melhor é calar-me e pedir para dizerem, por mim, que tenho um problema na fala. Ou então mostro o meu mindinho que é uma coisa que gosto de fazer. Em vez do outro. Um gesto de primeira água. Bruto mas chique de um trago só.



publicado por Menina da Rádio às 19:42
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Sei que sou muito feminina quando...

Ele vê o Benfica, e eu prefiro ler. Terminei o Bom Inverno do João Tordo durante o Benfica-Sporting e entretive-me com o Para Interromper o Amor da Mónica Marques no Benfica-Braga. O Benfica ganhou sempre. Ler dá sorte ao Benfica. Já tenho livro para o próximo jogo. Como é que se diz? "Carrega, Benfica?" (De que tasca é que terá saído este grito saloio?)

 



publicado por Menina da Rádio às 00:27
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Lições básicas para o homem que quer continuar descomprometido, ter sexo e não passar por cabrão.

Desta vez escrevi o título antes do texto. Sei exactamente o que vou dizer porque é resultado de uma conversa ao telefone com um dos meus melhores amigos. Descomprometido há pouco tempo. Que gosta de sexo. E um doce de pessoa. Por ser manso na medida certa, elas vão ficando e ele não. Quer continuar a debicar de pipi em pipi. Vi que havia ali imbróglio e disse-lhe logo que era urgente esboçar um plano de modo a evitar todos os rótulos de cabrão, cafajeste ou belzebu. Ele descansou-me, ou pensou que me descansaria, ao responder que era muito honesto e que esclarecia sempre que não estava nem aí para começar uma relação. ERRADO! Se um homem disser que não é de compromissos, estará a lançar o anzol ao beiço da menina. A esse discurso chama-se DESAFIO e as mulheres adoram mudar consciências e pessoas por inteiro. São as mulheres e as testemunhas de Jeová. Claro que elas vão ficar. Claro que elas se vão achar todas para derrubar esse muro de testosterona desinteressada. Um homem difícil e bom de cabeça é do melhor que há. Por isso, homem que lês estas palavras, toma nota. Há alguns passos que podem evitar que uma noite se transforme num modus operandi à bode velho, ou pior, se transforme em várias noites:

  • No fim da primeira relação sexual, logo ali coladinho ao orgasmo, atira um AMO-TE de olhos nos olhos. Ninguém no seu perfeito juízo é capaz de amar alguém ao fim do primeiro encontro. Se for saudável, fugirá a sete pés.
  • Se ela proferir as mais temíveis palavras como resposta, “Eu também”, não ser condescendente. Susto com susto se paga. “Essa boa notícia só pode ser acompanhada dos meus anti-depressivos”. Aspirina para a goela. Quem diz aspirina, diz bolinhas de esferovite. Vale tudo. E se for preciso espuma da boca.
  • Se a ideia for apreciar o petisco só mais umas noites, começa a alterar e a subir o tom de voz quando achares que já chega de forrobodó. Arrisca um “Posso levar a minha mãe?” quando combinarem uma noite escaldante num motel. Grita “Achas que vais sair assim vestida??” quando ela ainda estiver nua. “Para quem é que estás a olhar?”, quando estiverem apenas os dois no quarto.
  • Se ela responder a tudo com uma gargalhada, cuidado. Podes querer levá-la para o quarto e para a vida. Lá se vai o muro.

Moral da história: Não há. Estou apenas ansiosa pelo próximo date desse meu amigo depois das minhas recomendações. E a imaginá-lo a espumar da boca.



publicado por Menina da Rádio às 20:57
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Pobres mas Bem Vestidos
Sim, estamos em tempo de crise. De apertar cintos, espartilhos e corpetes. De dar o corpo ao manifesto, sair à rua de protesto na boca e nada nos bolsos. De cortes e costura aos orçamentos do país e da família. De subidas de juro, ivas e impostos. De andar muito devagar sem cair no buraco onde nos encontramos. De nos arrependermos do voto e nos sentirmos ultrajados. Tempo de gente com fortunas no banco que declara o ordenado mínimo apontar o dedo a corruptos no poder pela perda de subsídios e abonos. Ninguém está satisfeito. Mas hoje, quase meio do mês, a caixa da Zara tinha uma fila interminável à hora do almoço. Insisto: não é início nem fim do mês, não há promoções nem saldos. Pobres mas bem vestidos. Que aqui já não há mulheres de buço nem avental-para-não-sujar-a-mesma-roupa-que-se-vai-vestir-pela-semana-fora. E a Moda Lisboa fartou-se de dar na televisão. Fez-me pensar. E pousar o que tinha escolhido. Não me fazia assim tanta falta. Não fui sequer fazer as mãos. É aprender com os erros dos outros.Dos Governos que têm andado por aí a gastar à toa e a estragar. Ainda dizem que não tenho bom senso. Tenho mais do que isso. Tenho unhas lascadas e por pintar. Hoje fui uma mulherzinha. Amanhã não sei. A Zara ali tão perto. Não é à toa que os corpetes estão na moda.


publicado por Menina da Rádio às 19:10
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010
Zé Manel
Deixem-me falar-vos de Zé Manel. Zé Manel é uma espécie de gigolo frustrado. Ele não sabe que é gigolo, não sabe que é frustrado e esquece-se de levar dinheiro pelo que faz. É quase um traste na indústria da Gigolodice. Estamos a falar de um homem com pouco mais de um metro e meio, dentes caninos afiados, manga cava e espada de samurai em riste. Não tem bigode nem fio ao pescoço mas quando esbarramos na sua inchada figura pequena, achamos que sim. Zé Manel anda sempre bronzeado, peito feito e bem disposto. Adopta carinhosamente as piadas dos amigos para impressionar miúdas. Promete-lhes amor do verdadeiro, elas prometem ir para a cama com ele. E vão. Em vão. Zé Manel prefere as raparigas de pouca idade, um pouco perdidas. Que esperem muito mesmo que não recebam nada. Que não conheçam os amigos para lhe acharem piada. Que escrevam com XX e KKK e bxxuss foffuuss para não se esforçar muito. São muitas raparigas, não há tempo a perder com dissertações literárias de alto gabarito. Prefere-as com duas mãozinhas para as festas no enorme ego e sonante pénis. Tem uma namorada. Espantem-se! Zé Manel tem uma namorada que é uma mulher feita. Mas conhece os amigos dele e tem graça com piadas dela. E isso chateia um homem. Um homem como Zé Manel. Este caro amigo de que vos falo gosta da namorada que tem. Gosta muito da casa dela, onde vive sem pagar. É um t3 espaçoso com computador para falar no messenger. E tem cerveja e Sport Tv. E playstation e vizinhos que jogam playstation. Zé Manel é um tipo modesto que não quer muito mais da vida. Talvez o nome escrito em todos os placards na cidade, talvez um paparazzi à perna e umas raparigas que não lhe batam à porta. Da casa da namorada. Nem isso precisam de fazer, as sortudas. Ele vai atrás. Zé Manel é um gigolo frustrado. Tem sorte com miudas e raparigas. Mas não tem sorte com mulheres. Ainda há pouco tempo se apaixonou por uma. A Natasha. E ele que gostava tanto de escrever nataxa, com x, às vezes mais do que um x. Russa de nacionalidade, tímida de perfil, suculenta de perna aberta. Esta última parte acontecia apenas na imaginação de Zé Manel que, por muito que se esforçasse em verborreia, às vezes quente, às vezes desesperada, não conseguia levar Natasha a polir a sua viril espada de samurai. Ela era das que queria ir devagar. Zé Manel que não faz mal, Zé Manel que esperava, Zé Manel que gostava dela mesmo assim. Zé Manel que a embebedou e lhe subiu as saias no banco de trás do taxi-para-a-Estrela-por-favor. Natasha estava rendida fisicamente. Intusmecida literalmente e por todos os lados. E foi nessa altura que Zé Manel percebeu que não tinha sorte nenhuma com mulheres. Nem com mulheres daquelas. Natasha exibia um pénis maior do que o de Zé Manel. E foi mais isso que o fodeu.
(Escrito a 15 de Julho de 2010. Recuperado hoje, porque me apetece.)


publicado por Menina da Rádio às 23:50
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A campaínha tocou. Escrevo sempre os títulos no fim.

Tenho tanta coisa para dizer. Podia falar da Républica e como estamos a perder qualidades como povo revolucionário. O máximo que conseguimos é convocar greves gerais com cartazes muito pouco inspirados, gritos que foram inventados em 74 e ainda sobrevivem por preguiça. Podia falar do prémio Nobel da literatura que tem agora um saldo contabilístico de mais 1 milhão de euros. Como eu gostava de ser escritora. Ou rica, ainda não me decidi. Podia falar do cardiologista que foi demitido por assédio sexual a doentes, o que só prova que os homens muitas vezes põem o pénis no lugar do coração. Qual é o choque? Já sabíamos disto, não? Podia falar sobre a conversa que tive hoje à tarde sobre o número tão reduzido de gajas com piada. E a fazer humor. Não é suposto uma mulher ter piada. Os homens não dizem que amam uma mulher porque ela o faz rir. Às mulheres, pede-se que tenham boas mamas e sejam suficientemente inteligentes para se rirem das piadas deles. Um homem sarcástico é o delírio. Uma mulher sarcástica é ressabiada. Uma mulher não pode fazer funny faces sob pena de perder a pose. E a carga sexual. Ninguém quer ir para a cama com a Maria Rueff, excepto o Bruno Nogueira. Podia falar do meu ódio de estimação pela Anatomia de Grey, cambada de chatos, enjoados, nem coiso nem saem de cima, episódio-a-episódio. O real bocejo. Prefiro falar da minha série do momento. Modern Family. Prefiro, mas não vou dizer muito. Apenas que a Gloria me faz ser um bocadinho bissexual e que o casal gay me faz querer ter uma bebé Vietnamita. Adoro o desconforto do Mitchell quando o Cam é demasiado gay em público. “One big (straight, gay, multi-cultural, traditional) happy family”. Podia dizer muita coisa, mas vou ter de desligar o portátil. A minha pequena e pouco tradicional família - isto até soa a pecado - está a chegar a casa com sushi take-away.

 



publicado por Menina da Rádio às 21:24
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Isto sim, é oposição proactiva.
Tenho andado desiludida com o nosso Governo. Uma pessoa fica em baixo quando percebe que tem um governo incompetente. Ou seja, que não tem jeito nenhum para pedir dinheiro. Caríssimos José Sócrates e Teixeira dos Santos, isto não é só pedir. Os portugueses são povo para dar o que tem e o que não tem, se houver retorno. E por retorno não entendam um equilíbrio das contas públicas, uma correcção do défice. Isso é coisa para interessar muito pouco. É só olhar para as estatísticas. Os portugueses são povo para deixar de comer mas nunca para deixar de ter um carro ou telemóvel. Porque não lançar um passatempo? As famílias que paguem mais impostos ganham 1 fantástico automóvel. As restantes, mais ou menos generosas, ganham Iphones 4 (3G é que não, que os portugueses são argutos, nada de enganar o povinho). Isto para a Classe Média. Excepto para o Pedro Passos Coelho que é de Massamá e chega mais depressa a Lisboa se vier de comboio, e sendo a linha de Sintra ficaria sem o Iphone em três tempos. Para as classes mais baixas também se arranja solução. E o nosso governo é pobrezinho, deveria ter percebido logo. O que é que têm em comum o governo e as classes mais desfavorecidas? Estão todos à espera de um milagre. E cá está. Ponham os olhos na Igreja Universal do Reino de Deus. Se as domésticas, funcionários públicos e pensionistas vão lá deixar o dízimo e mais deixariam se lhes fosse pedido, também podem contribuir para o Governo. É isso. Comecem por substituir a palavra “imposto” por “dízimo”. O resto é fácil: basta que lhes tirem os joanetes e outras maleitas. Convençam os cegos que conseguem ver, ofereçam rins, façam andar os inválidos e têm o problema resolvido. Sem greves nem motins. Senhor Primeiro Ministro, não venha com discursos de coragem. Os portugueses não precisam de coragem. Precisam é de milagres e telemóveis.


publicado por Menina da Rádio às 14:08
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