Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Se Conduzir, Não Escreva
“Quando não tens nada de jeito para dizer, melhor é não dizeres nada”. E é seguindo este ensinamento que pauto a minha vidinha. Por acaso até tinha coisas para dizer, mas está frio e os dedos congelam, o cérebro quer cama e o corpo tapa-se. Como as palavras. Mas tenho uma novidade: há um mês e meio que ando a tirar a carta. Depois dos 30 fiz-me independente e mulher ao volante. Tem sido uma aventura. Ontem passei no exame de código, não sei bem como. Decorei taras, velocidades dentro das localidades, vias reservadas para automóveis e motociclos e não saiu nada disso. Ando um bocadinho chata com isto da carta, confesso. E obcecada. Os meus amigos já não me suportam porque eu só falo de cedências de passagem. E digo-lhes para não serem cabrões com as mulheres porque estão a praticar uma contra-ordenação grave. Se forem cabrões com as mulheres na auto-estrada, estão a praticar uma contra-ordenação muito grave. Com isto tudo, tenho uma dúvida. Não percebo os engates na estrada. Há tanta coisa para fazer: apertar embraiagem, por a mudança, olhar para os 500 espelhos, para o ângulo morto, carregar no acelerador, no travão, segurar o volante. Não sobra tempo para engates na estrada. Digo eu. Eu mal vejo os peões nas passadeiras, quanto mais os outros condutores. Ah! E esqueci de vez o ginásio. Agora meto a segunda, a terceira, a quarta, volto para a terceira, quarta, quinta, reduzo para quarta, ponho a terceira, volto à segunda. Que canseira. Mas tenho uns gémeos adoráveis. Da barriga para cima estou na mesma mas a verdade é que nunca me chamei Rita Pereira. Eu acho que ela estava demasiado vestida. Sou contra. Se era para fazer da cerimónia dos Emmys uma praia do Meco, aquilo era pano a mais. Contra-ordenação leve. Se ela ler isto e me der com uma marufa na tromba, é contra-ordenação grave. É marufa para magoar. Mas para meter mudanças enquanto as mãos seguram no volante deve dar jeito. Ah! Ontem fiz anos. E recebi de presente um colete reflector, lindo, daqueles que as prostitutas em Espanha são obrigadas a usar. Sinto-me sexy. Com 33 anos. E não digam que é idade de Cristo. Foi a frase que mais vezes ouvi. De crentes, agnósticos e ateus, que negam a existência de Deus mas juram que o filho tinha 33 anos quando morreu. Vamos lá ser sérios: Cristo tem 2010 anos. Não tem 33. Ele ressuscitou e subiu aos céus onde está sentado à direita do pai dele. Há 1977 anos. Ser Cristo é lixado. E monótono.


publicado por Menina da Rádio às 19:40
link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Pesquisar
 
Posts recentes

Barrigada de sushi

The Printed Blog Portugal

Símbolos

Antes que seja tarde...

Se Conduzir, Não Escreva

Isto é só para dizer que ...

Do Fastio

Sei que sou muito feminin...

Lições básicas para o hom...

Pobres mas Bem Vestidos

Mais comentados
15 comentários
11 comentários
Arquivo

Agosto 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Tags

todas as tags

blogs SAPO
Subscrever